Episódio 6 — clusters versus baseline cadastral: homogeneidade, separação, poder explicativo, estabilidade e acionabilidade

Num problema supervisionado, a avaliação tem gabarito. Aqui não tem. Por isso a comparação precisa ser desenhada para ser difícil de ganhar: contra o cadastro, contra o acaso, com o mesmo número de grupos e em métricas que o modelo nunca viu.

A métrica: quanto da variação o grupo explica

O η² mede a parcela da variação de uma métrica que é explicada pelo grupo da loja — a variação entre as médias dos grupos dividida pela variação total. Se o grupo diz muito sobre como a loja vende, o η² é alto. Quatro segmentações, dez métricas:

Métrica (η², %)Origemtipo_lojasortimentoClusterAleatório
Venda média/diano modelo2,82,528,30,3
Ticket médiono modelo42,311,150,60,4
Efeito da promoçãono modelo8,49,357,80,4
Volatilidadeno modelo2,01,560,80,4
Sazonalidadeno modelo3,110,143,20,3
Distância ao concorrenteno modelo2,52,420,70,3
Clientes/diafora25,510,936,70,4
Pico de sábadofora22,45,443,40,4
Efeito da promoção (dias úteis)fora6,06,929,00,3
Proporção de domingos abertosfora70,037,46,60,4
Barras comparando a variação explicada por tipo de loja e por clusters em venda, promoção, volatilidade e clientes
O cadastro explicava 2,8% da venda; os clusters, 28,3%.

Por que a comparação é justa

  • Ganha em 9 de 10 métricas — inclusive em 3 que ficaram fora do modelo (clientes, pico de sábado e efeito da promoção em dias úteis). Ganhar só nas próprias features seria quase tautológico; ganhar fora delas é sinal de que os grupos capturam algo real.
  • Não é efeito do número de grupos. Uma partição aleatória com os mesmos tamanhos explica de 0,3% a 0,4%. E o K-Means com k = 4 — o mesmo número de categorias do tipo de loja — também ganha em 9 de 10.
  • Os pares ficam mais parecidos. O coeficiente de variação da venda dentro dos grupos é de 0,284, contra 0,351 dentro do tipo de loja e 0,344 na rede inteira. É essa dispersão menor que torna a mediana do grupo uma referência defensável.
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A única derrota está documentada: domingos abertos (6,6% contra 70,0%). É a coluna que eu tirei do modelo de propósito, por ter 97% de zeros. Mesmo assim, 26 das 33 lojas que abrem domingo caíram em dois grupos (Sazonal e Alto fluxo) — o comportamento de domingo aparece pelas outras variáveis.

Estável de verdade

A regra da parte 2: ARI médio ≥ 0,80. O ARI mede o quanto duas partições concordam, descontado o acaso — 1 é idêntico, 0 é aleatório.

Teste (30 execuções)ARI médioARI mínimoAbaixo de 0,80Lojas que trocam (média)Pior caso
Troca de semente0,9920,97800,4%1,0%
Reordenação das linhas0,9900,96800,5%1,6%
Subamostra de 80% das lojas0,8880,69055,4%20,6%

Os três testes passam. Com 100 subamostras, o ARI médio fica em 0,898. Mas a média esconde a pergunta que o gerente vai fazer: "e a minha loja?". Por isso medi a permanência loja a loja:

Permanência no mesmo grupo (100 subamostras)Lojas%
Acima de 95%86177,2
80% a 95%13011,7
50% a 80%11910,7
Até 50%50,4

As instáveis não são aleatórias: são as de fronteira. A silhueta média das lojas que ficam no grupo menos de 80% das vezes é 0,033; das que ficam mais de 95%, 0,245 (Spearman de 0,683 entre as duas medidas). Essas lojas não foram escondidas — foram marcadas no plano de metas para revisão com o gestor, como mostra a parte 8.

Acionável: nenhum par leva à mesma decisão

O último teste não tem métrica. Para cada grupo, uma linha de decisão em Comercial, Trade e Supply; se duas linhas forem iguais, os grupos se fundem. Nenhum par repetiu. O par mais próximo (0 e 1, distância de 2,22 entre centroides) se separa por 1,43 desvio de ticket e pela distância ao concorrente — e leva a estratégias opostas: aumentar a cesta num caso, ganhar fluxo no outro. A matriz completa está na próxima parte, junto com os reais.

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Parte 6 de 9 da série 1.115 lojas, 1 régua injusta. O mapa completo da série reúne todas as partes, os cinco grupos e os números finais. O código, os notebooks e a documentação estão no repositório no GitHub ↗.